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Carta Aberta à População: O taticismo partidário foi superior ao interesse das pessoas

Vista aérea de S. João da Madeira

O Bloco de Esquerda levou a discussão, na Assembleia Municipal, onze propostas para reforçar as verbas e os programas de ação social no concelho, assim como várias propostas para fazer baixar o preço da água ou apoiar as famílias sobreendividadas do concelho.

A razão para a apresentação destas propostas (muitas delas foram, aliás, apresentadas ao longo deste mandato na Assembleia Municipal) é muito simples: constata-se facilmente que existem graves problemas sociais no nosso concelho. O desemprego é elevadíssimo, tanto que toda a gente conhece uma ou várias pessoas desempregadas. Muito deste desemprego é de longa duração, o que quer dizer que em muitos casos as pessoas já não têm rendimentos. Na cidade há cada vez mais pessoas a entregar a casa por falta de rendimento, ou a retirar os filhos dos infantários, ou a ter que recorrer a ajuda para poder comer. Esta é a realidade! Uma realidade forte e feroz que, por isso mesmo, exige de nós respostas mais fortes e eficazes.

Ora, foram exatamente essas respostas que o Bloco de Esquerda levou para discussão e para implementação no concelho. Infelizmente, elas foram chumbadas pelos restantes partidos, tendo imperado na discussão não uma preocupação com as pessoas, mas sim uma preocupação taticista e pré-eleitoral.

É vergonhoso que os partidos políticos andem sempre a dizer que é preciso fazer mais pelas pessoas e que os candidatos digam que a sua prioridade é as pessoas, mas quando o Bloco de Esquerda apresenta medidas concretas, reais e de possibilidade de implementação imediata, esses partidos rejeitam-nas, mostrando que não querem saber das pessoas, apenas usam as pessoas como forma de angariar votos em campanha.

Só há duas razões possíveis para que se tenham chumbado as propostas de reforço de ação social que o Bloco pretendia implementar no concelho:

A primeira razão é o completo desconhecimento da realidade. O PSD tem o discurso de que tudo vai bem no reino da Dinamarca, não se apercebendo que este é um reino onde, afinal, o rei vai nú. Não, nem tudo vai bem. Só pensa que tudo vai bem quem não sabe o que se passa e quem desconhece a realidade fora da porta de sua casa ou fora da porta do seu gabinete.

A segunda razão é o taticismo político. Os restantes partidos julgaram que ao aprovar o pacote de reforço de ação social do Bloco, iriam perder uma bandeira eleitoral. Tiveram medo de perder votos para o Bloco de Esquerda e, por isso, preferiram deixar as pessoas a passar mal durante mais uns meses.

O que aconteceu na última Assembleia Municipal é um exemplo do que de pior existe na política.

O Bloco de Esquerda não desistirá das suas propostas, mas não pode deixar de dizer à população de S. João da Madeira que se não fosse o jogo político de todos os outros partidos, essas propostas poderiam estar aprovadas, já hoje.

Este exemplo mostra bem como é necessário mudar a política e a representação dos órgãos municipais. É preciso mais Bloco de Esquerda e menos taticismo. É preciso mais seriedade a encarar os problemas das pessoas e menos jogo político com a vida das pessoas!